Alívio prolongado da dor facetária, sem cirurgia e sem internação prolongada.
A rizotomia por radiofrequência é um procedimento minimamente invasivo que trata a dor originada nas articulações facetárias da coluna. Em vez de atuar sobre a articulação inflamada, ela age no nervo que transmite a dor daquela articulação até o cérebro — o chamado ramo medial.
Uma agulha especial, com a ponta ativa, é posicionada com precisão junto ao nervo, guiada por radioscopia. Através dela é aplicada uma corrente de radiofrequência que aquece a ponta a uma temperatura controlada, interrompendo a capacidade daquele nervo de conduzir o sinal doloroso.
É importante esclarecer um ponto que costuma gerar dúvida: o ramo medial é um nervo puramente sensitivo daquela articulação. Interromper sua condução não causa perda de força, de sensibilidade na perna ou qualquer prejuízo funcional.
A rizotomia só é indicada após um bloqueio diagnóstico que confirme a origem facetária da dor. Se a aplicação de anestésico naquele nervo elimina a dor de forma significativa, ainda que temporariamente, isso demonstra que ele é de fato o responsável — e prevê um bom resultado da rizotomia.
Essa etapa é o que separa um procedimento bem indicado de uma tentativa às cegas. Pacientes que não respondem ao bloqueio dificilmente responderão à radiofrequência, e a confirmação prévia evita procedimentos desnecessários.
A rizotomia é realizada em centro cirúrgico, com sedação leve e anestesia local. O paciente permanece confortável e respirando por conta própria, sem necessidade de anestesia geral.
Após o posicionamento da agulha guiado por radioscopia, é feito um teste de estimulação: uma corrente de baixa intensidade confirma que a ponta está junto ao nervo correto e, igualmente importante, que não está próxima de nenhuma raiz nervosa motora. Só então a radiofrequência é aplicada.
O procedimento leva em torno de trinta a quarenta minutos, dependendo do número de níveis tratados. Após um período de observação, o paciente recebe alta no mesmo dia.
É comum haver um período de desconforto local nos primeiros dias, às vezes com sensação de dor muscular na região tratada. Isso é esperado e transitório.
O alívio costuma se estabelecer progressivamente ao longo de duas a três semanas, à medida que o processo se consolida. Uma parcela importante dos pacientes relata melhora significativa da dor.
A duração do efeito é de um a dois anos, em média. Isso acontece porque o nervo tem capacidade de regeneração — com o tempo, ele pode voltar a conduzir o estímulo doloroso. Quando isso ocorre, o procedimento pode ser repetido, geralmente com resultado semelhante ao da primeira vez.
A rizotomia ocupa um espaço importante no tratamento da coluna: oferece alívio prolongado para uma condição crônica, sem os riscos e o tempo de recuperação de uma cirurgia de fusão. Para o paciente com dor facetária confirmada, representa a possibilidade de retomar as atividades e avançar na reabilitação com muito menos limitação.
Vale lembrar que o procedimento controla a dor, mas não substitui o cuidado com a coluna. Manter a musculatura forte e o peso adequado é o que sustenta o resultado ao longo do tempo.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.
A animação abaixo demonstra o posicionamento do eletrodo junto ao nervo responsável pela dor facetária.
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