A união definitiva de duas ou mais vértebras para estabilizar um segmento da coluna.
A artrodese é o procedimento que une de forma permanente duas ou mais vértebras, eliminando o movimento entre elas. É indicada quando o problema central não é apenas uma compressão nervosa, mas a instabilidade — quando as vértebras se movem além do que deveriam, gerando dor e colocando as estruturas nervosas em risco.
Para isso são utilizados parafusos inseridos nos pedículos das vértebras e hastes que os conectam, mantendo o segmento na posição correta. Entre as vértebras é colocado um enxerto ósseo, frequentemente associado a um implante que restaura a altura do espaço discal.
O aspecto mais importante é entender que os parafusos não são a fusão em si — eles funcionam como uma estrutura de sustentação temporária. A fusão verdadeira é biológica: ao longo dos meses seguintes, o osso cresce e une as vértebras, formando um bloco único e estável.
Fundir duas vértebras não significa imobilizar a coluna. A coluna tem mais de 30 vértebras, e a fusão de um ou dois níveis representa uma fração pequena da mobilidade total. A grande maioria dos pacientes recupera a mobilidade funcional completa e não percebe limitação nas atividades do dia a dia após a reabilitação.
A espondilolistese com instabilidade é uma das indicações mais frequentes, especialmente quando comprovada nas radiografias dinâmicas. A estenose associada à instabilidade é outra situação comum: nesse caso, a simples descompressão poderia agravar o deslizamento, e a fixação se torna necessária.
Completam a lista as fraturas instáveis da coluna, as deformidades como escoliose e cifose com indicação cirúrgica, a degeneração discal avançada com dor incapacitante que não respondeu ao tratamento clínico, e as reoperações em que houve perda de estabilidade após procedimento anterior.
Na abordagem convencional, uma incisão maior na linha média permite o acesso direto e a visualização ampla da coluna. Os músculos paravertebrais são descolados e afastados durante o procedimento. É uma técnica consolidada, com resultados previsíveis, e continua sendo a melhor escolha em casos complexos, deformidades e cirurgias de múltiplos níveis.
Na artrodese minimamente invasiva, os parafusos são inseridos por pequenas incisões separadas, com auxílio de radioscopia em tempo real ou navegação cirúrgica. Os músculos são dilatados progressivamente em vez de cortados, o que preserva sua vascularização e inervação.
As vantagens são concretas: menor sangramento durante o procedimento, redução importante da dor no pós-operatório, menor risco de infecção da ferida operatória e internação mais curta. O objetivo terapêutico é exatamente o mesmo — muda o caminho até ele.
Nem todos os casos são candidatos à abordagem minimamente invasiva. Cirurgias de múltiplos níveis, deformidades complexas e algumas reoperações podem exigir a técnica convencional ou uma combinação das duas.
A recuperação é progressiva e depende do número de segmentos fundidos e da técnica utilizada. O paciente costuma levantar e caminhar já no primeiro dia. A fisioterapia começa nas primeiras semanas, inicialmente com foco em mobilidade e postura, evoluindo depois para fortalecimento.
O retorno às atividades leves acontece em semanas, enquanto esforços maiores são liberados de forma gradual. A fusão óssea completa se consolida ao longo de alguns meses, e o acompanhamento com exames periódicos confirma essa evolução.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.
A animação abaixo demonstra a colocação dos implantes e o processo de fusão vertebral.
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